Surtos

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Eu surtei. Surtei na história, nas lembranças, na impotência e na saudade. Surtei sem querer e sem pretensão nenhuma. Quem nunca? Os surtos fazem parte da vida ou quem sabe, da mente. São mais uma forma de sentir e te lembrar: você está vivo.

O grande desafio continua sendo controlá-los e seguir em frente. É pra frente que se anda. Ou pelo menos, pra onde se deveria andar. Os surtos têm a ver com despreparo. Têm a ver com fragilidade. De uma hora pra outra tudo pode mudar. Por mais seguro que qualquer um esteja, esse mesmo qualquer um precisa aprender a contar com isso. E contar com a incerteza continua sendo uma daquelas coisas-muito-difíceis. Você tem uma certeza e quando acorda em outro dia, já não é bem assim.

Pode surtar. É difícil de acreditar e aceitar, mesmo. Que o surto seja leve, que passe rápido e não deixe sequelas. É o que resta pra nós. Nessa hora uma coisa fica bem clara: somos vulneráveis. Tanto para a felicidade quanto para a tristeza. Todo mundo é pego de calça curta um dia. Cuidar do surto faz parte do processo. E sabe o que é curioso? Cada um cuida de um jeito. Uns bebem, outros choram sem parar e alguns tomam sorvete. Vai que passa. Eu tomo 1 grama de corticoide na veia por 5 dias. Vai que passa.

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Esclerosada há 1 ano e meio.

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