Carta aberta aos preconceituosos

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Caro preconceituoso,

hoje você passou dos limites. Na verdade, você sempre passa. E eu sempre fico com vontade de te responder ou viro meus olhos sem te falar nada. Por isso, achei interessante juntar tudo nesta carta.

Infelizmente, não acho que isso vá mudar o que você pensa e nem te ensinar a amar incondicionalmente, mas se te fizer pensar um pouco sobre o assunto, já valeu. Aproveito para te pedir que, enquanto você lê, vá tentando assimilar antes de sair me xingando ou me rotulando. A reflexão engrandece o homem. E já aproveito para te dizer que, a mulher também.

Eu tento te entender várias vezes, Preconceituoso. Entendo que o nosso contexto social e a nossa história não te ajudaram. Entendo que você foi criado de um jeito travado e cresceu achando que ser agressivo, xingar e bater era normal. Cresceu achando que a diferença era ruim. Cresceu sem ter amigos gays e negros porque pegava mal. E as mulheres? Ah, essas sempre foram mais frágeis e usaram rosa.

Eu fico muito triste por você, Preconceituoso. Porque mais uma vez eu vejo o quanto é difícil quebrar todos esses paradigmas dentro do seu corpo, mente e alma. Você nem se dá conta, não é mesmo? Eu te peço por favor, para que comece a reparar nos seus comentários, nas suas piadas no grupo da família e no seu posicionamento como ser humano. Ser humano que, inclusive, é formado por pele, osso, órgãos e sentimentos. Igual a mim. Igual a ele. Igual a ela.

Preconceituoso, gostaria que você se colocasse no lugar de quem você desrespeita com a sua piada. E se você fosse o “viado” que não podia entrar na sua casa ou andar junto com você? (afinal, você parte de um pressuposto de que andar com “viado” poderia te tornar um. E isso é um problema porque gays são motivo de chacota). E se você fosse o “preto” da piada? E se você fosse a mulher que nasceu pra lavar louça e só? Esse exercício (de se colocar no lugar do outro) nos ajuda a entender que: ninguém precisa ser alguma coisa ou outra para respeitar todas elas e lutar por igualdade e mais uma vez, respeito. Isso não é sobre ser gay, negro, trans, albino, hétero, gostar de pizza ou não. Isso é sobre ser humano.

Sinto em lhe informar, Preconceituoso, que o mundo está evoluindo e que tem muita gente evoluindo com ele.  Não dá mais pra você desrespeitar uma mulher, xingar um gay e sentir nojo de um negro, em público. Já é hora de tentar mudar, já é hora de tentar entender. A diversidade existe. E isso é muito bom, meu caro! Nós nascemos da diferença e vamos morrer com ela. Nós precisamos disso.

A gente não sabe nada sobre o dia de amanhã. Só que ele é instável e os seus filhos vão ter professores negros, colegas de trabalho gays e quem sabe até, ser um deles. Você entende que, na verdade, ele é um de nós? Você entende que não estamos falando de espécies diferentes e nem menos capacitadas? Estamos falando de nós. Que somos iguais.

Os seus comentários já fizeram várias pessoas chorarem. A sua piada (sem graça) já fez pelo menos 3 pessoas se sentirem muito mal. Tem como parar?

Espero que você pense, considere e tente, Preconceituoso. Você pode estar magoando as pessoas que mais ama (ou acredita amar).

Já é hora de ser. Humano e o que mais você quiser.

Com amor,

Silvana

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